VERDADEIROS ACTIVISTAS ESTÃO TRISTES COM A UNITA

Activistas que há anos enfrentam perseguições, detenções e privações afirmam sentir-se usados politicamente pela UNITA, acusando o partido de só os valorizar em períodos eleitorais e de os abandonar nos momentos mais difíceis.
Nos bastidores da luta cívica em Angola cresce um sentimento de tristeza e frustração entre verdadeiros activistas sociais, que se dizem esquecidos pela UNITA quando o sofrimento fala mais alto. A crítica central é direta: o partido só se aproxima dos activistas à véspera das eleições, quando precisa de capital político, visibilidade e denúncias públicas que enfraqueçam o partido no poder.
Segundo estes activistas, quando chegam os momentos de maior dor — como prisões arbitrárias, perseguições judiciais e repressão — o apoio desaparece. Em casos de cadeia, afirmam que não há solidariedade concreta, nem assistência básica às famílias, como alimentação, pagamento de renda ou apoio psicológico.
Exemplos frequentemente citados incluem nomes como General Nilas, Osvaldo Caholo, Buca, Gangsta 77, Ganga Luango, Tavares, Ismael Bad e Fogão de Casa. Activistas que, segundo relatos, enfrentaram detenções e dificuldades extremas sem qualquer suporte visível da UNITA, deixando familiares entregues à própria sorte.
A crítica não se limita ao abandono material, mas também ao silêncio político. Para muitos, o partido beneficia-se das denúncias feitas por estes activistas — denúncias que fortalecem a oposição e desgastam o regime — mas não assume responsabilidades quando esses mesmos activistas pagam o preço alto da repressão.
“Tudo o que os activistas fazem acaba por fortalecer a UNITA e a oposição no geral, mas quando chega a hora de proteger quem está na linha da frente, somos esquecidos”, lamentam vozes do movimento cívico.
Este distanciamento levanta um debate profundo sobre ética política, compromisso real com a sociedade civil e o risco de instrumentalização do activismo. Para os críticos, valorizar activistas apenas em períodos eleitorais não é solidariedade — é oportunismo.
Enquanto isso, a tristeza dos verdadeiros activistas permanece como um alerta: sem coerência entre discurso e prática, a oposição corre o risco de perder aqueles que mais sacrificam pela democracia e pela justiça social em Angola.
Jornalista MALÚ TAVARES

