A AMBIÇÃO POLÍTICA POR TRÁS DA BAJULAÇÃO: AS ALEGAÇÕES QUE ENVOLVEM CUMBI JÚNIOR PRESIDENTE DA ANJE

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A AMBIÇÃO POLÍTICA POR TRÁS DA BAJULAÇÃO: AS ALEGAÇÕES QUE ENVOLVEM CUMBI JÚNIOR PRESIDENTE DA ANJE

Fontes próximas ao MPLA apontam um suposto empresário como protagonista de uma estratégia de aproximação, promessas financeiras e alinhamentos internos com o objetivo de garantir um lugar no Comité Central e favorecer o camarada Higino Carneiro.

Um homem apresentado como suposto empresário, identificado como Cumbi Júnior, está no centro de alegações que circulam em meios políticos ligados ao MPLA. Segundo fontes ouvidas pela nossa redação, Cumbi Júnior estaria a desenvolver uma estratégia cuidadosamente calculada para ingressar no Comité Central do partido, com o alegado propósito de facilitar apoios internos a favor do general Higino Carneiro.

A movimentação política do jovem não seria recente. De acordo com relatos internos, a sua ascensão tem sido marcada por bajulação sistemática a figuras influentes, numa tentativa de ganhar visibilidade e aceitação junto às estruturas decisórias do partido. As mesmas fontes apontam Norberto Garcia como a figura que teria dado respaldo político inicial a Cumbi Júnior, alegadamente incentivando-o a criar um clima de tensão e disputa interna na JMPLA, com o objetivo de enfraquecer a liderança de Capapinha.

No percurso dessa estratégia, surgem os nomes dos camaradas Gonçalves Muandumba e Dino Matross. Segundo militantes ouvidos, Cumbi Júnior teria adotado uma postura de subserviência política, descrita nos bastidores como “engraxar as botas”, numa tentativa de conquistar proteção e influência. Ainda segundo essas fontes, o suposto empresário teria prometido disponibilizar alguns kwanzas para apoiar determinadas iniciativas políticas, embora não existam, até ao momento, provas documentais públicas que confirmem tais promessas.

Mais recentemente, Cumbi Júnior terá transferido parte das suas atividades políticas para a província do Cuanza Sul, numa manobra interpretada como tentativa de aproximação estratégica ao general Higino Carneiro, figura de peso e influência dentro do MPLA. Observadores políticos consideram que a deslocação não é aleatória, mas sim parte de um plano para reforçar laços, demonstrar lealdade e ganhar capital político.

Especialistas em dinâmica partidária ouvidos pela nossa reportagem alertam que práticas deste tipo, caso se confirmem, contribuem para o enfraquecimento da democracia interna dos partidos e reforçam a perceção de clientelismo e troca de favores. “A luta por um lugar no Comité Central deveria basear-se em mérito, percurso militante e compromisso ideológico, não em bajulação ou promessas financeiras”, afirmou um analista político que solicitou anonimato.

A redação tentou contactar Cumbi Júnior para obter esclarecimentos sobre as alegações descritas nesta reportagem, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição. Também foram solicitados pronunciamentos às figuras citadas no texto, igualmente sem sucesso. O espaço permanece aberto para o exercício do direito de resposta, em respeito aos princípios do contraditório e da ética jornalística.