VIDA PACÍFICA: PELO MENOS O LIXO

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VIDA PACÍFICA: PELO MENOS O LIXO

Chega uma altura em que a inquietação torna-se mesmo incomensurável. É folha seca e sem utilidade, voltar a rebater a questão da água que não viaja até aos últimos andares de alguns edifícios da Vida Pacífica, Calumbo, Icolo e Bengo. O termo é mesmo este viajar.

Desconfortável, é bater-nos a porta cobradores da factura de água, sem água o tempo inteiro. Pagar o quê, afinal? . Por aí, todos percebemos por onde andamos. Desculpem a honestidade.

Com certeza que o gráfico do desânimo cresce cada vez mais. Às vezes, somos agraciados com um “xiiiii” das torneiras. Só mesmo isto! É mesmo só “água no fundo do túnel”. Estamos mal. Temos de enaltecer as equipas de auxiliares de limpeza que, depois do expediente normal de trabalho, mesmo esgotados, galgam escada acima e lá nos enchem alguns recipientes para o resto da semana.

Claro que temos de “canjonjar” a água. Subir na bácia, “meia vazia” e com uma jarra, repetir a mesma dose, a seguir, reservar o tal resto de água para servir a sanita.

Se alguém em tempos assumiu que uma mulher precisa de 20 litros de água para um banho bem sucedido, não sei que exercício fazem as senhoras dos últimos andares de alguns edifícios, principalmente, da zona 2.

Há dias, em conversa com um conhecido que vive no Kilamba, ele atreveu-se a fazer uma comparação do Kilamba com a Vida Pacífica. Levei um KO logo no primeiro empurrão. Ele falou da péssima distribuição da água aqui, falou do lixo que campea em tudo à volta de nós, falou dos contentores saturados e a transbordarem tudo que entra a mais.

Falou do lixo que é depois jogado junto dos contentores, criando um acumulado vergonhoso e que empurra toda esta Centralidade a tresandar a cheiro mau. Segundo ele, o Kilamba é totalmente diferente. Não sei se em gesto de ironia, mas me confidenciou: “Eh pá, lá também vivem “nguvulus”. Disse mais, no Kilamba até quando falta luz, de noite, ELES correm para repor imediatamente. É água em fartura, em todos os edifícios, até nos últimos andares.

Contou ele ainda, um dia vandalizaram uma cabine, isto de noite, e a pronta intervenção aconteceu, sem pestanejarem. A ser verdade, é assim que tem de ser: o respeito pelos contribuintes, pelos moradores, sendo “nguvulus” ou não.

Foi de um belíssimo trabalho de quem de direito ter recuperado a Vida Pacífica. Na totalidade. Conferiu dignidade às pessoas, sobretudo àquelas que se mudaram para aqui, num momento em que as zonas 1 e 2 precisavam de ser reconstruidas, pois os níveis de vandalização foram de bradar aos céus. Mas, a mão caridosa de quem decide repôs o conforto.

A pergunta que não quer se calar: e agora, ficamos assim? Vamos continuar a assistir, impávidos e serenos, a Vida Pacífica a transformar-se num verdadeiro “aterro sanitário”?!, numa Centralidade já com dificuldade de água e com uma Vida menos Pacífica.

Para não falar da poluição sonora de quem anuncia gás nos “caleluias” ou de quem de moto ou viatura, com escapamento propositadamente alterado para aumentar o barulho e importunar o silêncio alheio, diante à passividade “pacífica” da Vida Pacífica. São rebentões provavelmente superados apenas pelos estrondos dos mísseis no Médio Oriente.

Cabe reflectirmos e pedir, de forma encarecida, que se assumam  responsabilidades para o bem-estar de todos. Se com o Kilamba é assim, por que connosco é diferente? PELO MENOS O LIXO.

Por Gil Caconda