SONANGOL CONSOLIDA REESTRUTURAÇÃO COM RESULTADOS FINANCEIROS EXPRESSIVOS EM 2025

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SONANGOL CONSOLIDA REESTRUTURAÇÃO COM RESULTADOS FINANCEIROS EXPRESSIVOS EM 2025

Os resultados financeiros alcançados pela Sonangol em 2025 reforçam a eficácia da estratégia de reestruturação implementada nos últimos anos e contradizem as narrativas que procuram retratar a petrolífera nacional como uma empresa em declínio. A avaliação é do director de Comunicação, Marca e Responsabilidade Social da companhia, Dionísio Rocha Júnior, que considera não haver sustentação factual para os discursos que apontam para uma alegada crise institucional ou operacional.

Em entrevista ao Jornal de Angola, o responsável afirmou que a transformação em curso na empresa representa uma adaptação estratégica às exigências do mercado energético global e não um sinal de enfraquecimento.

“O que alguns insistem em chamar declínio das operações petrolíferas é, na realidade, uma transformação estratégica sustentável e alinhada com as melhores práticas globais do sector energético. Confundir evolução com declínio também é uma forma de desinformação”, sublinhou.

As declarações surgem num momento em que a Sonangol procura consolidar os resultados da sua reestruturação. Em Fevereiro deste ano, durante as celebrações do 50.º aniversário da empresa, o presidente do Conselho de Administração, Gaspar Martins, apresentou indicadores que evidenciam uma evolução positiva do desempenho empresarial, posteriormente confirmados pelo Relatório e Contas de 2025, divulgado a 17 de Março.

Segundo Dionísio Rocha Júnior, os números demonstram que a empresa mantém capacidade de adaptação e geração de valor mesmo perante um contexto internacional desafiante.

“Não se trata de um colapso, como sugerem algumas análises desactualizadas ou parcialmente informadas. O Grupo tem demonstrado resiliência, transparência crescente e capacidade de criar valor em ambientes adversos”, afirmou.

Diversificação fortalece sustentabilidade

O director destacou que a trajectória da Sonangol acompanha uma tendência observada nas principais companhias energéticas mundiais: a diversificação das fontes de receita para assegurar maior estabilidade financeira e sustentabilidade de longo prazo.

Neste contexto, explicou que o peso crescente dos dividendos, das participações estratégicas e dos investimentos financeiros nos resultados da empresa não constitui um sinal de fragilidade operacional, mas sim uma demonstração de visão empresarial.

Os resultados consolidados de 2025, apresentados em Março de 2026, revelam um lucro líquido de 946 milhões de dólares e um EBITDA de aproximadamente 2,6 mil milhões de dólares. Os indicadores foram alcançados apesar de uma redução de cerca de 14 por cento no preço médio internacional do petróleo bruto.

Para Dionísio Rocha Júnior, o desempenho confirma a capacidade da empresa para reduzir a dependência das oscilações do mercado petrolífero.

“As receitas provenientes de investimentos internacionais, serviços de gestão e activos financeiros demonstram que a Sonangol continua a expandir a sua influência económica para além da exploração petrolífera tradicional. Este posicionamento reduz riscos e reforça a capacidade de investir em sectores estratégicos para o desenvolvimento de Angola”, explicou.

O responsável recordou ainda que o Conselho Fiscal, no parecer sobre as contas de 2025, reconheceu a resiliência demonstrada pela companhia, assinalando um crescimento de 17,2 por cento do resultado líquido face ao exercício anterior, apesar da redução do volume de negócios e da pressão sobre as receitas petrolíferas.

O órgão destacou igualmente a manutenção de resultados operacionais positivos, impulsionados pelo segmento Corporate, pelos dividendos recebidos, ganhos financeiros e pelo desempenho das empresas participadas.

Auditorias reforçam credibilidade

No plano institucional, a Sonangol tem acelerado a melhoria dos seus mecanismos de relato financeiro e governação corporativa. De acordo com o director de Comunicação, os últimos exercícios foram marcados por uma redução consistente das matérias susceptíveis de originar reservas por parte dos auditores externos.

A empresa resolveu questões históricas identificadas em exercícios anteriores, eliminando integralmente as reservas nas unidades consideradas estratégicas (core business) e reduzindo em cerca de 90 por cento as matérias susceptíveis de reserva nas unidades não estratégicas.

Para a administração, esta evolução representa um importante reforço da credibilidade e da transparência financeira da organização.

Impacto na economia nacional

Dionísio Rocha Júnior sublinhou que a Sonangol continua a desempenhar um papel central na economia angolana, contribuindo para a estabilidade financeira do país, a geração de emprego, a captação de investimento e a projecção internacional de Angola.

Em 2025, a empresa assegurou 65,2 milhões de barris correspondentes aos direitos líquidos da produção nacional e exportou 124,7 milhões de barris de crude.

No segmento da refinação, registaram-se avanços relevantes na estratégia de aumento da autossuficiência em combustíveis. A Refinaria de Cabinda entrou na sua primeira fase operacional, com capacidade para processar 30 mil barris por dia, enquanto a Refinaria de Luanda atingiu um recorde de processamento de 17,2 milhões de barris.

Paralelamente, a capacidade nacional de armazenamento em terra cresceu 91 por cento em relação a 2024, alcançando 1.218.411 metros cúbicos, impulsionada pela entrada em funcionamento do Terminal Oceânico da Barra do Dande.

Aposta nas energias limpas

A estratégia de diversificação energética também registou progressos. A Central Fotovoltaica de Caraculo, com capacidade instalada de 25 MW, injectou 39.363 MWh na rede eléctrica nacional, evitando a emissão de mais de 31 mil toneladas de dióxido de carbono.

A empresa deu igualmente os primeiros passos no segmento da mobilidade eléctrica, através da instalação da sua primeira estação de carregamento no município do Kilamba Kiaxi.

Para Dionísio Rocha Júnior, os resultados alcançados demonstram que a empresa está a construir bases sólidas para o futuro.

“Num sector global marcado pela volatilidade, gerar valor através de investimentos, parcerias e gestão estratégica não é sinal de fraqueza, mas de inteligência corporativa. A Sonangol continua a demonstrar, com números auditados e não com especulações, que permanece um dos principais pilares económicos do país e uma empresa cada vez mais preparada para os desafios do futuro”, concluiu.